sexta-feira, 29 de julho de 2016

Ideal (para Mayara Barbosa)

o ideal seria
que nós pudéssemos
ser quem quisermos ser
e deixar de ter
passar a ver
o outro
com outro olhos

O ideal é que
o amor fosse um bem comum
sem mais-valia
sem opressores e oprimidos
ser vida
servida num jantar contigo, comigo

O ideal é que
o pensamento fosse tão forte
quanto o peso da tua mão
sobre a arma
que aponta para o ponto
final
a corrida pelo ideal
pronto.

o ideal seria o ideal...

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Vinte e cinco



Eu tenho um quarto de século
Hoje aos vinte cinco, prevejo o futuro
o furo no destino que me espera
Eu tenho coisas, mais ou menos minhas
eu tenho amigos, mais ou menos meus
eu tenho instrumentos, emprestados da humanidade
Eu tenho vinte e cinco, um quarto de século


No meu quarto eu fico divagando
no limbo
dos que tem vinte e estão indo pros trinta
e com tinta vermelha,
escrevem a história de suas vidas
Eu tenho vinte e cinco
O que me espera daqui pra frente?

Vinte e cinco é a única coisa exata que eu tenho!

domingo, 10 de julho de 2016

Onde?

Onde você roubou esses olhos?
Que me olham como setas vindas de arqueiros
que me seguem como espiões.
Que me vendem direções
Onde você roubou esse cabelo?
Que me cortam no meio
e que me esvaziam por inteiro
Me enchem de mim mesmo
Onde você roubou essa pele?
Lobo vestido de ovelha
pronto pra me devorar
Onde você roubou meu coração?
Em qual esquina
Em qual esquina
Em qual?


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Cerebelo

Um cerebelo tão bonito
quanto você
que ser tão belo
e bonito de se ver

Um tímpano tão tipo:
meio o meu tipinho
que apareceu
entre os tempos
típicos.

Um fêmur, fêmea
acho que fomos
feitos um pro olho
outro pra frente
do espelho

Sempre somos glotes
de lotes, de vindas
e idas, descendo
e descendendo
dos genes e dos gênios
linfáticos e fanáticos

Eis toda sua beleza genética em uma rima, outro rim