terça-feira, 27 de setembro de 2016

O vendedor de luz

Eu comprei uma solidão
Que não se vende em loja
Nem em mercado algum
Se vende na esquina
Da amargura com a tristeza
No bairro das dores
Cidade das lágrimas
Quer comprar minha solidão?
Provavelmente não a vendo
Vendo o que eu sou
Queria vender um pouco de alegria
Então seria um vendedor
De luzes

Quem quer comprar minha solidez?
Metade de mim é rio
Outra é montanha
Que esconde o horizonte
Das pessoas
Náufrago do tempo
Vendo palavras na feira do destino
Queria ser feliz e vender o dia

Mas eu insisto em ser noite

domingo, 18 de setembro de 2016

Aos poetas novos e velhos

Tanto é pouco aos olhos da totalidade
quem diria que um dia
passaria a ver com os olhos emprestados
dos poetas antigos
que eram amigos
dos objetos

Será que um dia eles me dirão
o que Manuel ouviu
ou não ouviu?

Tanto é pouco ao ler com os olhos
da mortalidade.
quem diria que um dia
iria passar os dias
como os poetas mais novos
que são amigos
do inexistente