segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

No meu país

Não sabia que precisaria
andar por todo o meu país
Pra poder achar alguém com quem eu
Possa me sentir nacional
Eu que andava tão estrangeiro
Resolvi fazer canção do exílio
Procurei me isolar

Não, não me digas que não posso morar em voce
Sou um pássaro sozinho
Viravolteando o ceu

No meu país
O único juramento que faço
É que nunca te faça deserto
E seja sempre rio

Perene até onde quiser...

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Aflição de um carnaval qualquer

Como é difícil encontrar
Saídas para dizer
Que não era aquilo que se queria.
Acontece (fazer o quê ?)

Esperar a dor passar é aprender
Novamente
Que ninguém falou que ia ser legal
A vida é deprimente.

Mas nos resta viver
Abraçar a eminente revolta
Chorar com paciência
Cantar uma nova canção

E esquecer o que lhe faz mal
Mesmo você achando que lhe faz bem
A gente aprende a cantar só
A gente aprende a só cantar

E mesmo que um dia essa dor volte
Você já não vai ser o mesmo
Vai poder olhar e não mais temer
Apenas dizer:

Eu não quero sofrer com o que já me afligiu

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Onde consta o poeta?

O poeta é um grande mentiroso
Digo isso porque já fui criança
E essas inventam do nada seu brinquedo
Constroem castelos invisíveis
Buracos negros n-dimensionais

O adulto trai o contrato com o imediato
Fala de aviões, helicópteros
E todo sortilégio de histeria
Inúteis para todos e qualquer um
Seus impérios são mais gelidos
Que nem o fogo pode derreter

O poeta é um mentiroso nato
Inventa romances que nunca terá
Ou histórias de dragões que nunca enfrentou

O adulto é um mentiroso compulsório
A criança, uma mentirosa feliz
O poeta é os dois ao mesmo tempo.