Você tem um poema meu gravado em você
E eu, um edema gravado em mim
Onde por sorte, dói, por ventura.
Escrevo canções, invento histórias
com você, num sonho, aberto.
Livre para dizer o que penso.
Eu, marginal de mim, apenas observo
o rumo que tomei nesses dias
por querer navegar em seu curso
Abdicando dos meus afazeres
Desviando a energia vital em mim
para sua majestade reinar
Qual o limiar entre dar sem receber,
perceber
e amar em desmedida?
Quantos versos mais, precisarei escrever
esconder, mostrar, não direcionar
para que a seta atinja o alvo?
Fui despejado do meu bel-prazer
e sequer tinha cópia da chave
você me trancou do lado de fora.
Tomara que os meus gritos
te façam abrir esse portão...