terça-feira, 18 de junho de 2019

poesia notívaga

Entre engenharias humanas, a carcaça de um animal
Suas entranhas desfalecidas moldam meu semblante
Dão destaque ao nome que dou à madrugada sem fim
Heróis registrados em papeis, preto e branco

Maços de cigarros postos sobre a mesa de fora
Um amor há muito tempo morto, em um recipiente pequeno
Desta distância não sobra nada, nem vintém de sentimentos
Só o frio e a última canção feliz

Façam odes sobre mim, me deixem morar em seus pensamentos
Me deixem  sóbrio para um próximo gole de novidade
Então me esqueçam numa gaveta qualquer

Deveria ter ouvido Sartre quando disse:
"O inferno são os outros"
Parto de algum pressuposto só meu
De que o mundo não é ruim...Eu que devo ser rude demais comigo

Eu não devia me cobrar pelo que não posso controlar
Mas a dúvida é a dívida que tenho com a vida:
Sigo especulando surfar na melhor onda...

... Do tsunami do porvir

Adeus

Os corpos se amontoam em pleno verão
Onde deixei meu casaco e meus últimos vinte centavos
Agora é hora de se despir

A menina do lado não está mais
Foi viver seu sonho em outro lugar
Onde as estações são mais definidas

E deixou então uma leva de corações partidos
e colados com cola de sapato
Esperando em vão sua espera

Eu, ainda com meus últimos vinte centavos,
Tentei encontrar uma luz por debaixo da porta
Mas a escuridão define agora o que é

As pessoas passarão como passam os comerciais
Você não liga: eles estão ali e você não compra nada
Talvez até se emocione com algum deles

Mas depois você desliga sua TV
E é como se eles não existissem
São cadáveres invisíveis

Apenas eu observei os corpos se amontoarem em pleno verão
E agora é inverno, querida,
Não existe mais flores nem pássaros

Adeus