sábado, 6 de novembro de 2021

Alguém

 Alguém ali naqueles prédios e residências

Com pouco esforço

Tomou meu coração

Fez dele apartamento


Agora eu que era trailer

Virei casa sem saber

O que aconteceu? Pergunto quando olho

Pros prédios e residências


Alguém roubou meu coração

Não fiz queixa: só fiquei olhando.

Quase nada tem graça

Se não for uma dose de bom dia

Boa noite


Dorme, entre os prédios e residências

Como reticências eu fico

Sem nenhum ponto final

Seja no papel ou na lotação


Alguém roubou meu coração

E agora ando como um robô

No automático das coisas

Fugindo da sorte que me leva


Alguém pode me libertar

Mas por enquanto só fui assaltado

Nas mais belas curvas

Do seu sorriso

Acabei derrapando

Acidente?




sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Morte

 


Há algo que meu ouvido não pode escutar
E ha coisas que minhas falanges não podem tocar.
Pra que se preocupar, meu amor?
Tudo volta um dia pras estrelas
E é la que me enterro

Novos horizontes pairam no ar
Mas a felicidade se esconde
Como um brinquedo que não consigo achar
Então eu me encerro

Como uma dívida que não vou pagar
No céu ou qualquer inferno
Eu me limito em me contentar
Na existência de tudo que é efêmero:

Vida

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Retro-inferno

 Enxuguei as lágrimas alheias 

E não consegui escrever mais nada

Esvaziei-me 

Fiquei sem chão 

E por falta de opção,  flutuei

Infelizmente não resisti

Morri mais uma vez

E como um crime sem castigo

Voltei a enxugar as lágrimas alheias 


terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Quatro de Agosto

As notícias continuam frias
Cálidas como a minha rotina
Eu ando mais só que a própria solidão

Ando num clarão, cego
Às vicissitudes que preciso entender
Eu mudo fácil, mas me permaneço

Um espelho que não quero olhar
Apenas fitar só o horário no relógio
Um homem médio pra um tempo mediano

E sinto que o vazio me preenche 
A cada esquina que passo
Morre mais um pouco dos meus pensamentos 

É quatro de agosto 
Eu apenas respiro profundamente 
E me afogo num breu eterno


terça-feira, 18 de junho de 2019

poesia notívaga

Entre engenharias humanas, a carcaça de um animal
Suas entranhas desfalecidas moldam meu semblante
Dão destaque ao nome que dou à madrugada sem fim
Heróis registrados em papeis, preto e branco

Maços de cigarros postos sobre a mesa de fora
Um amor há muito tempo morto, em um recipiente pequeno
Desta distância não sobra nada, nem vintém de sentimentos
Só o frio e a última canção feliz

Façam odes sobre mim, me deixem morar em seus pensamentos
Me deixem  sóbrio para um próximo gole de novidade
Então me esqueçam numa gaveta qualquer

Deveria ter ouvido Sartre quando disse:
"O inferno são os outros"
Parto de algum pressuposto só meu
De que o mundo não é ruim...Eu que devo ser rude demais comigo

Eu não devia me cobrar pelo que não posso controlar
Mas a dúvida é a dívida que tenho com a vida:
Sigo especulando surfar na melhor onda...

... Do tsunami do porvir

Adeus

Os corpos se amontoam em pleno verão
Onde deixei meu casaco e meus últimos vinte centavos
Agora é hora de se despir

A menina do lado não está mais
Foi viver seu sonho em outro lugar
Onde as estações são mais definidas

E deixou então uma leva de corações partidos
e colados com cola de sapato
Esperando em vão sua espera

Eu, ainda com meus últimos vinte centavos,
Tentei encontrar uma luz por debaixo da porta
Mas a escuridão define agora o que é

As pessoas passarão como passam os comerciais
Você não liga: eles estão ali e você não compra nada
Talvez até se emocione com algum deles

Mas depois você desliga sua TV
E é como se eles não existissem
São cadáveres invisíveis

Apenas eu observei os corpos se amontoarem em pleno verão
E agora é inverno, querida,
Não existe mais flores nem pássaros

Adeus

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Despejado

Você tem um poema meu gravado em você
E eu, um edema gravado em mim
Onde por sorte, dói, por ventura.

Escrevo canções, invento histórias
com você, num sonho, aberto.
Livre para dizer o que penso.

Eu, marginal de mim, apenas observo
o rumo que tomei nesses dias
por querer navegar em seu curso

Abdicando dos meus afazeres
Desviando a energia vital em mim
para sua majestade reinar

Qual o limiar entre dar sem receber,
perceber
e amar em desmedida?

Quantos versos mais, precisarei escrever
esconder, mostrar, não direcionar
para que a seta atinja o alvo?

Fui despejado do meu bel-prazer
e sequer tinha cópia da chave
você me trancou do lado de fora.

Tomara que os meus gritos
te façam abrir esse portão...