Despeço-me de todo Carnaval de outrora
da estação quente que me trouxera novos sonhos
e que o fim dela me arrancara
Despeço-me de toda saudade alheia
e das lamentações ineptas
pois não trazem mais aquilo que esperei
Despeço-me daquilo, daqueles
inclusive de você
por não saber quem era eu
Despeço-me das flores que nunca dei
já aponta no horizonte a estação sombria
Está na hora de me recatar e me minimizar
Despeço-me, mas não é pra sempre
até o inverno acabar
a primavera sempre me reservou surpresas
Despeço-me de ti, que encontrei na minha primavera
mas que fez dela outono, sem cor, sem fruto
mesmo arborizando minha vida
Despeço-me daquilo que fui
em prol daquilo que serei
e não de quem me fez ser
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