domingo, 24 de janeiro de 2016

Viajante II



Senti meu peito arder
quando passei na estrada, longa e solitária
como pude te deixar ir?
A propósito, como vai sua família?
Passei por aqui, tô de passagem
e agora a viagem nem vale
a passagem



Fui rude, perdi meus créditos
andei em círculos
pisei em pregos
entortei direitos
pra não me achar no final


Andas por essas estradas
que apagam teus rastros
com outros rastros
Não conheces ninguém
Antes eram tu e tua coragem
mas ela foi se esvaindo
a cada gota d'agua
você olhou pra trás
e se viu.
Como se derramasse tua alma
em cada parada, em cada esquina
E você se esvaziou de si mesmo
...
pra se encher de si mesmo, outra vez.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Viajante I



O homem em sua bicicleta
dá carona ao sonhos
que encontra no caminho
ele deseja ser feliz
com apenas uns trocados
e um amor simples
Não imagina nada além disso



O homem em sua moto, ultrapassa limites
não entende como
os carros lhe oprimem
Então vê estradas maiores
mas só as vislumbra
não consegue ir adiante



O homem no carro, dirige sem rumo
dirige seu filme mudo
onde só ele é ator
Talvez um coadjuvante
de si
Ao passar na estrada
não repara em nada
que não seja o que está além
Talvez não saiba
que o caminho é mais importante
que a chegada


O homem em seu avião
plana sem parar
por entre os céus mais azulados
infelizmente ele está sozinho
nenhum amigo pode conversar
apenas porque quis o preço da solidão

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Dolores



Acordando cedo, espero o café
talvez tenha pão
dor
Pelas frestas, empasse de pessoas
conversas fiadas
dor
Pesos e medidas, presos em retinas
desço da condução
dor
Discos sobre folk, country
Neil Young
dor
Não entendo o mundo, nem o mundo me entende
não transpareço alegria
dor
Demasiado devaneio, não penso
não rio do desespero
dor
eu ando comemorando sem festa
luto sem morte
dor
Histórias não contadas
não vividas
dor
Escrever uns versos chatos
apago todos
dor
Vou ao banco, olho o extrato
pago a conta
dor
Volto pra casa, vejo um amigo
algum amor antigo
dor
Se quiser volte ao inicio do poema
só não esqueça da dor
porque sem ela
isso tudo aí nem serviria pra poesia.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Decência ou Descendência?



O problema todo deve ser essa sua decência
ou sua descendência Italiana
que deixa esse teu sangue vermelho
que nem vinho.
E sua pele branca, sua voz suave
esse tom consonante com teus olhos
me fazem um idiota todos os dias
te procurando nas ruas frias
de São José dos Campos.


E eu imagino se você um dia vai saber quem eu sou.