Eu abdiquei
do beijo da mulher amada
do sofá no domingo
pela luta armada
de poesia, concreta
ou abstrata
Eu abdiquei dos prazeres
do consumo desenfreado
do luxo irrisório
pelo martelo e machado
que me deram no berço
quando fui forjado
Eu abdiquei
do trono de ouro e prata
de ser dono da quebrada
por alguns trocados
e um violão nas costas
que me dão notas
pesadas
Eu abdiquei de mim
pois fazer poesia
é retirar todo dia
um pedaço de si
Nenhum comentário:
Postar um comentário