quinta-feira, 29 de junho de 2017

A milésima sobre solidão

Almas solitárias, vem e vão
São nobres solidárias, são pobres
Em meio aos mares
de 2 bilhões de milhares
entre os que não tomam Jack Daniels
ou os que tomam Conhaque
São almas, vem e vão

Situam-se entre as covas
as cavernas, das madrugadas
penam sobre corpos, sobre copos
Apenas querem amor
mas sobrevivem de ódio, rancor
não sabemos contra quem

A Peste, de Camus, a doença
que infesta as palavras gêmeas
Festa, Fresta, toda a sorte de mnêmicas
Com seus gritos inaudíveis
são criaturas horríveis
após o crepúsculo dos ídolos
Nietzsche não os descreve bem!

Paletas de todas as cores
para mostrar os maiores horrores
Hilst, Proust, Brecht,
Ou um disco do Dinosaur Jr.
Quanto mal você me fez
naquele 2009 indigesto
eu não te odeio mais
porém, a solidão foi nossa filha
que você não assumiu

Eis mais um ode a solidão dos excepcionais
e dos decepcionais.

domingo, 25 de junho de 2017

Relógio de pulso

Quando há silêncio
posso ouvir o tic-tac do meu relógio de pulso
como se ouvisse meu coração
em tempos tão difíceis
a poesia parece verborrágica
quanta coisa a se dizer!
Maquinas como o relógio de pulso
fazem seus corações (tic-tac)

O silêncio e o vazio
estão em extinção
posso ouvir a chuva, posso ouvir a vizinha
que grita com o marido
que briga com a filha
por conta do namorado

A briga pelo espaço
se estendeu pelo som
cada um quer o seu barulho
cada vez mais alto

Só a noite é que posso ouvir o silêncio
puro e indelével
e o tic-tac do meu relógio de pulso
eu o venero
paciente e tranquilo
é paladino do tempo

Meu relógio de pulso marca o tempo