quarta-feira, 1 de março de 2017

Fumo (a terça parte do meu tédio)

Meu coração se cansou de tanto bater nas portas erradas
e apenas vender algo que não querem comprar
a partir de hoje serei um paladino do acaso
um morto-vivo sem lembranças
um homem do hoje
Enquanto viver estarei entregando a mim mesmo aos demais
Um homem fragmentado
entre os amores do porvir
as dores do saber
Eu realmente não sei de nada
não sei sobre o café
sobre o pão
sobre o leite derramado
Um rebelde sem causa, uma Esfinge sem anedotas

Então trago um Viceroy
fumo todo
e então com a fumaça, todos os desprezos são vencidos
toda a mazela é consumida, todos os olhares tortos são superados
E então relaxo, encontrando em mim um porto
Um porto onde só mesmo eu consigo atracar

Por que você não consegue me enxergar como tal?

Sou um bom moço, fiz meu dever, mas mesmo assim
nada sou
invejo os pedintes por suas causas serem mais nobres
que as minhas
Tenho dívidas e dúvidas
melhor fumar meu cigarro e engolir todo o mal que me fizeram
e jorrar pra fora todo urro e berro que está guardado à sete chaves
Sou todo solidão.

Fumo enquanto queria ser T.S.Elliot
Ou até mesmo Allen Ginsberg
fazendo suas poesias enquanto uivavam
Ou Fitzgerald, ou Hemingway
O Grande Gatsby
Os contos macabros do Zé do Caixão
Enquanto fumo meu Viceroy, posso ser o que eu quiser

Enquanto isso, você ainda não me vê como eu quero que veja!

Suas palavras de veludo e sua maciez confrontam minha alma
seus dóceis dizeres são sempre mais elegantes que os meus
Acho que o que faz você ser tão bela é ser intrigante
e me guiar por todo caminho do conhecimento
Não devo mais me embebedar de seus conselhos
ou irei cair na inefável teia do amor
nesse momento então, poderei dizer que estou perdido

Enquanto você não me amar, eu fumo até o cigarro morrer em minha mãos.

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