quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A minha menina

A minha menina, ensina
como as flores da Primavera
Quem dera, quem dera
que se nascesse mina
de ouro, de pétala

A minha menina, divina
é deusa enrustida, Sol
maior, bemol
quem desse essa tercina
de dó, de mim


A menina não diz "parafina"
é vela acessa de missa
é faca que rasga
numa poesia tão paulatina
afaga pálpebras e retina


A minha menina é verso de prosa
como a estação que a alimenta
é menta, juá, tão frondosa
que se nasce em prosa
se torna rotina

A minha menina é como o tempo
regendo o reino que fortifica
e fica retendo, como o vento
quem desce pra ver
saboreia o momento

sábado, 5 de agosto de 2017

O novo

Meio que o acaso
é um fim em si mesmo

Andando pelas horas que eu perco
sempre que divago nos pensamentos
sobre o que há de ser
o que há de estar

Olho os prédios, gigantescos
olhos fitados em lojas de roupas
Andar pela cidade requer cuidado
tem sempre riscos, perigos

Você ainda na mente, você
que de repente some
e depois aparece
assim como os carros na avenida

Congestiona meu coração
E eu ando pensando,
Se quando eu te vejo
é o mesmo que não enxergar

Ando só, como um corvo
renegado em sua lida
uma sombra disfarçada de gente
Entre as frestas mais escuras

Meio que o acaso
é um fim por si só