domingo, 28 de janeiro de 2018

Esfinge que não ver

O amor é uma esfinge
"Decifra-me ou devoro-te"
Esperando sempre à espreita
O viajante passar
Sem nenhuma cerimônia
Traz à tona seu paradoxo
Transversal ao mito

Tem como resposta o próprio homem
A quem pretendia devorar
Somos bobões que usamos muletas
Na velhice de nossas amarguras
Deixamos escapar o que nos é natural

O amor é uma arte
O artista não é o poeta
Este, por fim é o arauto
Que em Tebas fez gritar
Na Ágora mais contigente

O amor vai precipitar-se no mar...

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Danço enquanto vivo

E quando eu começo a sair
Procuro as frestas do mundo
Retorno um segundo a mim mesmo
Enxergo as pessoas como trocas
Intensões sobre o outro
Talvez o meu único amigo seja meu violão
Que expurga o inferno daqui,
e conta as horas pra fazer chegar
Um novo tempo começa
As ruas ficam mais compridas
E minha visão turva mostra que nada sou
Trago comigo as mágoas de todos os amores perdidos
E o rancor que começa a trovejar
Nuvem preta sobre o céu do meu coração

E quando chego em casa é de acalmar o coração
Sempre cantarolando uma canção que fiz
Ao amanhecer que sou
Digo "Olá" ao quarto e tudo se perde
Em relação aos meus 26 anos
Eu passo o dia vão
As meninas turcas e seus anexos
Elas estão sempre escondendo o rosto
Dançam ao redor da fogueira
Que se acende em mim

O único problema é que não sei dançar


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Ruas intermitentes

Ao reclamar de todos os meus paradigmas
internos e externos
vou começando a forjar um novo eu
que se encrusta com as baratas do canto mofado
e que se submete ao pecado mais varonil

Vamos sendo tomados por agonias pontuais
que exercem microfísicas em nosso ser
andamos em marcha-ré, contra o sol à pino
Quarando moscas mortas no vidro dos carros
Declamando Poema Sujo na madrugada fúnebre

Saímos nos dois, de preto e casaco jeans
notívagos sem nenhum respeito
sombras reles em todos os sentidos
vivemos em capas de super-heróis
mortos em combate.

Decido-me reclamar enquanto estou na condução
o dia está quente, a cabeça está quente
o vazio é mórbido como a flor que nasce no túmulo
de um coração pesado de chagas e de vermes
A vida parece mesmo um mistério

Enquanto pisco, olho para o céu e vejo uma núvem
parece um elefante, parece um rinoceronte
mas é um montante de gases, que não servem pra nada
só pra encher o saco dos desavisados.
E o bolso dos perceptivos.

A gente vende a si mesmo e não se compra.