Ao reclamar de todos os meus paradigmas
internos e externos
vou começando a forjar um novo eu
que se encrusta com as baratas do canto mofado
e que se submete ao pecado mais varonil
Vamos sendo tomados por agonias pontuais
que exercem microfísicas em nosso ser
andamos em marcha-ré, contra o sol à pino
Quarando moscas mortas no vidro dos carros
Declamando Poema Sujo na madrugada fúnebre
Saímos nos dois, de preto e casaco jeans
notívagos sem nenhum respeito
sombras reles em todos os sentidos
vivemos em capas de super-heróis
mortos em combate.
Decido-me reclamar enquanto estou na condução
o dia está quente, a cabeça está quente
o vazio é mórbido como a flor que nasce no túmulo
de um coração pesado de chagas e de vermes
A vida parece mesmo um mistério
Enquanto pisco, olho para o céu e vejo uma núvem
parece um elefante, parece um rinoceronte
mas é um montante de gases, que não servem pra nada
só pra encher o saco dos desavisados.
E o bolso dos perceptivos.
A gente vende a si mesmo e não se compra.
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