segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

x da questão

Superficialidade e futilidade
terminam com idade
o tempo se encarrega
de mostrar os valores e as incógnitas
de um mesmo lado da equação!

domingo, 21 de dezembro de 2014

Flanco torto

Eu só tenho fotos ruins
eu nem tenho discos mais que amigos
eu tenho um flanco torto
analgésico pra alma-Lodo
eu queria não ser mais um na estatística absurda
do desespero humano
Eu queria. Eu tinha. Eu tenho
Enquanto isso a vida segue...

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Longínqua

Eu queria fazer é música
musgo
Eu queria fazer algo novo
velho
Eu queria fazer

Saber sobre todas as rotações back in black do renascentismo absurdamente coeso com a pseudo-realidade e do fanatismo cancioneiro matemático e informal
(UFA!)
na verdade eu queria saber porque homem é homem
menino é menino
bafana bafana
e vice-versa

Vaso sanguíneo minha querida
eu tenho sangue de barata

e vivo tentando entender o porquê
das coisas que estão próximas serem longínquas
por um instante
eu preferiria estar na estante
do que no estandarte

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Quando eu morrer

Quando eu morrer
não terei flores
nem funeral
nem pessoas
serei só eu e o infinito

sem marcha fúnebre
sem contas pendentes
sem sentimentos escondidos
só eu e o caixão

Um S.O.A.D. no fundo
(Lonely day de preferencia)
e nem na hora do solo
solo é agora o que sou
no solo

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Por não dizer

Por não dizer que acho que gosto
sinto me calado mesmo falando
entre as festas e frestas
portanto
não digo que te amo

Por não dizer que gosto
quando você me diz o contrário
e me chama de bobo
logo
não digo que te odeio

mas eu odeio o jeito como estou lhe amando

Por não dizer sinto o sufoco
de ter te conhecido
mas não tenho o conhecimento
necessário
não tentar enganar

Por não falar sobre flores
ou amores passados, presentes e textos
marcados com giz de cera
Bobeira
não tento me enganar

Engano é ficar te esperando se você insiste em voltar

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Pó de estrela (Milene Lima)

O menino gosta dos exatamentes 
Soma lá, pesquisa acolá
Diz, todo senhor das ciências, 
Que são reles pedacinhos de poeira
Aquelas estrelas dançantes 
Alumiando o inteiro do céu 
Mas o menino é também feito
De pó e vento da poesia
Então tem um dia
Que o peito lhe bate, sentido 
E a estrela, luzente, cadente 
Até lhe dá bom verso 
Pra ele dizer amor
Àquela menina faceira 
A essa hora adormecida 
No outro lado do seu pensar de poeta.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Participio da Vida (João Antonio Santos)

Há quem diga que eu dormi sentado,
 de tanto cansaço de um dia frustrado,
 de momentos que sofri calado,
 da dor no dente do chiclete mascado. 

Meu jeans amassado, 
reflexo de um dia exagerado,
 por um sonho não conquistado,
 ou por uma lembrança do passado.

 Parado, mordido, cantando,
 Calado, perdido, pensando, 
Estampado, ferido e amando.
 Pensando no tempo, na vida e no tempo,
 vida feita de tempo que nos dá experiência na vida,
 viva o tempo que nos é dado, 
e não o tempo que nos é vida.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Qual nome dar?

Apreço, são

desmereço então as fugas

em vão

E correr, e buscar o ali

logo lá, o porvir

Sei que estão

a me esperar




ou me deixar




Há preço são

em desmanchar os que retorcem

e contorcem sobre o mar

da imensidão

E Iemanjá, já é manhã

Lá do lógico, questão

que está

a disparar



desaparecerão

terça-feira, 13 de maio de 2014

Sem nome

A dor da espera da esperança
Estanca a dor em sombra e sóis
Antes dá dia e dá noite
E entre a espera da minha voz
Espere o som sair, ecoar
Do limiar, delimitar os estados
E os estouros da acústica
"Espero" é sempre mesmice de momento
É tempo sem hora, minha senhora
Não espere que eu chegue já

sábado, 26 de abril de 2014

Morte enquanto é tempo

Ele morreu
restavam apenas 8 minutos
mas ele os fez valer
preferiu ser eterno
pra nunca mais morrer

então chegou os 7 minutos
ele viu sua vida se acabar
lembrou da infância
da adolescência
da promiscuidade
da inercia
mas acima de tudo
das coisas boas que havia feito

então o veredito
a morte enquanto é tempo
lhe tirou o que faltava
a vida continua...

...sem ele

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Ainda sem nome



E a alegria irreparável
irradia o incontestado
o que precede todo o ter

E euforia do pré-datado
Ficou na memória
do acontecido

Saudade mata

Entoando aquela canção
eu jurei que ia ser a nossa
mas do jeito que tá a coisa
ainda vão ter próximas

quinta-feira, 27 de março de 2014

Tra...



Trova, treva

tudo se turva quando a trama

treme

Parece trava-línguas mas a míngua



para a parada vida

Trêmulo. Túmulo

domingo, 23 de março de 2014

rEclAME



O tempo voou na medida do indeterminado
no momento errado
percebi que te prendi em mim
agora, no mundo meu, calado
retardo o futuro por causa do passado
Se ontem te amava, hoje te odeio por te amar ainda mais...

quarta-feira, 12 de março de 2014

Dor e demasia

Na verdade não sou estraga-prazeres...
é que amores vem e vão
Então meu amor, entenda, te amo hoje
amanha é outro dia

domingo, 9 de março de 2014

Tudo que eu escutei falando

De repente, o grito prende
na garganta
no remetente
de quem queria
Dizer aquilo que se pensa
por não saber como se prensa
esse pensamento que não procede
com a sua presença
que alterna, retorna
na mente, da gente
que sonha sem dormir
e acorda sem sonhar

quarta-feira, 5 de março de 2014

Norma

Norma, que de nada se reforma
se retorna ao marco zero
Marcada pela retórica
do brilho eterno

domingo, 2 de março de 2014

Resgate




Resgatam as flores mortas no campo
Que flecha nenhuma pode alcançar
Que volta zumbindo a incomodar
os que mortos ficam em nome de santo
E todos os lírios em seus recantos
retomam a guerra com suas feridas
e tornam exalando muitas margaridas
como se fosse amigos do vento
E jogados à deriva no mesmo momento
Rasgando sereno no fim do vida



E voltam a ladrar como se fossem lobos
eternos famintos que andam a caçar
Farejam ruínas para encontrar
vestígios do vício que os tornaram bobos
Cabeças de águias cobrindo o lôdo
Com toda vertígem para sua lida
Buscando senhoras para serem servidas
Dizendo "coragem" o bom está proximo
fincando seus dedos, unhas e ossos
Rasgando sereno no fim da vida




Bruxas malucas rezando no escuro
com suas profecias em meio ao pó
e fazem com que eu ande só
Procurando frestas no fruto maduro
Que fazem menções ao mesmo impuro
Chorando lagrimas semi-falidas
E trazem de chuva aguas batidas
Mesclando bravura com brilhantismo
Fugindo de todo e qualquer cinismo
Rasgando sereno no fim da vida




E monstros eternos cobrindo as figuras
demonstram terror ao serem abertos
com um temor de que descobertos
exprimam suas maiores frescuras
que todo o bom homem procura
e fica apenas na tal conhecida
Com suas ostes de renda florida
fogem do herói que vem relutante
findando todo o mal que de antes
Rasgando sereno no fim da vida

sábado, 1 de março de 2014

Tenho amigos poetas

A sorte que tive em ter
amigos poetas
uns escrevem versos
outros universos
alguns tiram fotos mágicas
outros dançam, transcendem
alguns cantam, outros tocam
eu aqui no me canto
observando a beleza
de cada um sendo poeta
à sua maneira
Então quando penso em ser
é que tenho a certeza
que tive muita sorte
de os conhecer...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

12:35 - 12:36

A transição
do minuto posterior
é datada como sempre
mas no sempre não sabemos
se o agora é o instante
em que ocorreu aquilo
ou será que já passou?
Na dúvida retiro
aquilo que disse
por não saber se esse dito
ainda está no presente
então melhor deixar no futuro, passado
a transição do minuto passado

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Vi Vida


Admiro
quem tem força no grito
quem treme e força o grito
quem não tem o medo de gritar
acredito
naquilo que não é dito
muita das vezes guardado
por parecer mito
que não teme o modo de viver
em conflito
vivo em questão
de xeque ou mate-leão
equação sem solução
Admito
estou farto de estar em pico
em restar apenas de bons olhos
e ficar por ultimo no asilo.

Durmo com as ideias no bolso
no rosto de quem já foi moço
hoje está velho de cansado

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Invisível

E pra essa mulher eu não existo
eu nem sequer sou eu
ela nem me acha nada
ela nem me acha
eu ando querendo me mostrar
pra ela eu sou ando a me esconder

Não, não é cantiga de amor
nem mesmo soneto de tristeza qualquer
Eu estou aqui escrevendo versos
pra ver se tu vê, ou será que não tens olhos?

Se fosses cega, não enxergaria outros
mas eu não sou os outros
eu nem existo

Eu sei que essa mulher não me enxerga
sou invisível
sou invisível

domingo, 26 de janeiro de 2014

Odeio o meu/seu Aniversário

Odeio dar parabéns
Ficar mais velho não é bom
congratulações pra quê?
Comemorar o fim se aproximando?

Nem venhas com a desculpa em riste
"Mais um ano de vida"
Eu nem quero ouvir essa balela
de ficar mais velho

Pois eu sou mesmo antiquado
me sinto as vezes anti-tudo
prefiro ser adepto ao contrário
do que falar e ser mudo

Por fim, estou calado
Odeio o aniversário
O ano novo também
Revellion é coisa de novela

Enfim, continuo calado

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Esquecimento

Esquecimento é tudo aquilo que por dentro, tá por fora
tá sem hora, atrasado
tudo fica meio embaçado
Esquecimento é passagem pra outro momento

enquanto se esquece, esquece tudo por enquanto
tudo perde o encanto, só naquele pensamento
"onde foi que eu deixei o discernimento"
Diz contente: "está aqui"

Então a lembrança vem e apaga
o que o esquecimento fizera com afago
aquela dor do desapego
de esquecer aquilo que não se queria lembrar

Esquecer aquilo que se quer lembrar é o mesmo que morrer querendo matar.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O Amor (Retrato de um Clichê sem precedentes)

Tá em branco essa porra de página
é claro o amor fica repetindo as mesmas coisas
coisa coisada

O amor em fruto de poesia amadurece no verão
aquece e desmede tudo que se acha palpável
mas no seu inverno, todos morrem de frio

Amor, por favor morra
ou mate-se-me

Soou Deus


A genialidade nasce da depressividade

a ignorância da certeza

E a Gentiliza da inteligência?

Nas entranhas da negligência

Somos nada além de tudo isso...

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Antes que tu pense em me dizer

O fim de frase que tu ia proclamar se escafedeu
ninguém, eu disse ninguém, é tão sincero a tal ponto
Por favor querida, esse nem foi nossos melhores dias
então não reclame dessas fotografias, queria guardá-las

Mas só pra lembrar do que nunca fui pra você
do que tinha pra ontem e ficou la mesmo
eu tinha mesmo duas coisas à se fazer esse ano
uma delas foi te deixar

Querida, não te retenhas de bom grado
o novo é teu mais novo inquilino
deves resolver logo tuas pendências com a vida
Para que inteira, possa vivê-la

Não, não chore. Eu não prometo voltar
Nem me diga mais o que fazer, eu já ia partir
Agora não dá mais, super bond acabou
Nem esse teu mimimi me convence

Mas só pra constar que um dia eu te amei
que eu ia sim postar cinco ou seis versos com teu nome neles
Ia comprar rosas perfumadas
"Buquê são flores mortas" já dizia Criollo

Então, minha mala nas costas, fui
Não prometa morrer, eu não prometo viver
Antes que tu pense em dizer algo a me ferir