segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Cicero (In memoriam)

Tico tico
reco reco
marre-marre
como o poeta
as palavras me saem repetidas
porque não as encontro
pra descrever o quanto
você viveu e mereceu
mas agora é hora de se livrar
das imposições
físicas e literais
do mundo concreto
e ser um ser completo

Cícero, um poeta grego
viveu nos meus dias
mesmo sem poesia
pintava quadros de gente
pequenas e grandes
do alto do seu apartamento
se apartou do mundo
e decidiu voar
Não podemos mais vê-lo
Mas saibam que ele está

Tico ou Cícero, eis a questão

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Por que amamos as bailarinas?

Por que amamos as bailarinas?
porque não são humanas
a sua beleza, com sua leveza
destroem qualquer coração
Já experimentou amar uma?
Eu nunca tive o prazer
pois quando o tiver
talvez não queira outro.
Elas flutuam no palco:
sabem seu passo
seu lugar no universo
e eu aqui pensando apenas
escrevendo poemas.
Não sei ficar na ponta dos pés
mas elas sabem como dizer "vem!"
sem ao menos abrirem a boca!
Então você vai e abre a sua

Na verdade não vou conseguir responder a pergunta
é que essas libélulas são escorregadias
e minha poesia ainda não tem arsenal suficiente
pra apontar as armas
e rendê-las.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Abdicação

Eu abdiquei
do beijo da mulher amada
do sofá no domingo
pela luta armada
de poesia, concreta
ou abstrata

Eu abdiquei dos prazeres
do consumo desenfreado
do luxo irrisório
pelo martelo e machado
que me deram no berço
quando fui forjado

Eu abdiquei
do trono de ouro e prata
de ser dono da quebrada
por alguns trocados
e um violão nas costas
que me dão notas
pesadas

Eu abdiquei de mim
pois fazer poesia
é retirar todo dia
um pedaço de si

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Os Loucos Parte II

Então o poeta
silenciou-se
não mais bradava
seus clamores pelos quatro cantos
no lugar dele
ouvia-se um silêncio
ensurdecedor.
Encontrou o seu fim
único e remediável: A vida.
Pois a morte lhe foi amiga.
Fez brotar seu legado.

domingo, 20 de novembro de 2016

Os Loucos parte I

Nós, os poetas
somos como loucos
em um hospício
com camisas-de-força
gritando: "Nos libertem!!!"
Mas os ditos libertos
nos olham e nos dizem
"A liberdade não é de vocês,
Mesmo tendo vocês a inventado"

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Eu - Por mim mesmo

Eu inventei o eu
sou pura invenção de mim mesmo
sou pura ficção para divertir os outros.

Inventei essa mentira
por não saber toda a verdade
acabei por namorar a omissão

Então sou também ator
que como diretor que sou
me atuei e me dirigi

A vantagem de não ser eu
é que posso ser quem eu quiser
pois nem eu saberei quem sou

Todas as mentiras contadas
serão penduradas no varão
na exposição do meu fim

E então saberão a verdade

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O dia da Liberdade

Eu vivi
pra ver que as pessoas
gostam de odiar
que preferem construir muros
ao invés de ajudar
que se dizem "puros"
mas como? Humanos todos somos
apenas
sem distinção de raça
cor ou religião

O dinheiro separou
nossos irmãos
agora somos A ou B
classes de coisas
que não podem ser medidas
mas são
Porque o capital é mais importante
do que o aperto de mão

Eu vi
em meio à crise
a criatividade morrer
no dia da liberdade
o ódio
vencer
 

domingo, 30 de outubro de 2016

Todo mundo vai à praia

Todo mundo vai à praia
menos eu
que fiquei na margem
da cidade pequena

Nos feriados todos partiram
no fim de semana todos partiram
no Natal todos partiram
só eu fiquei

Acordei cedo pra ir caminhar
mas não tinha ninguém
todos foram embora
e apenas eu fiquei

Na cidade pequena
ainda se fazia domingo
enquanto voltavam da praia
eu olhava pela janela

E fiquei sozinho outra vez
 Com um gosto amargo do café
e da solidão
Sólida

A cidade inteira chegou
e eu ainda estou sozinho

domingo, 16 de outubro de 2016

Eu queria ser você

não sei mais o que fazer
é só andar um pouco
fazer alguma coisa
que me vem você
com esse seu ar superior
me inferioriza
com sua postura altiva
que eu procuro entender

Não sei o que vou dizer
"sinto muito" tem várias faces
porque só agora decidi escrever
sobre você?
talvez você nunca leia
talvez você nem exista
mas se eu te vejo
eu me anulo
e então morro

Meu coração que andava no limbo
hoje quer pular pra fora
ao ver uma foto sua
não consigo me conter

quisera eu ser mais o que
você quer pra ter
eis a questão:
será que vou entrar
quando na porta bater?

eu queria ser você

terça-feira, 27 de setembro de 2016

O vendedor de luz

Eu comprei uma solidão
Que não se vende em loja
Nem em mercado algum
Se vende na esquina
Da amargura com a tristeza
No bairro das dores
Cidade das lágrimas
Quer comprar minha solidão?
Provavelmente não a vendo
Vendo o que eu sou
Queria vender um pouco de alegria
Então seria um vendedor
De luzes

Quem quer comprar minha solidez?
Metade de mim é rio
Outra é montanha
Que esconde o horizonte
Das pessoas
Náufrago do tempo
Vendo palavras na feira do destino
Queria ser feliz e vender o dia

Mas eu insisto em ser noite

domingo, 18 de setembro de 2016

Aos poetas novos e velhos

Tanto é pouco aos olhos da totalidade
quem diria que um dia
passaria a ver com os olhos emprestados
dos poetas antigos
que eram amigos
dos objetos

Será que um dia eles me dirão
o que Manuel ouviu
ou não ouviu?

Tanto é pouco ao ler com os olhos
da mortalidade.
quem diria que um dia
iria passar os dias
como os poetas mais novos
que são amigos
do inexistente

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Ideal (para Mayara Barbosa)

o ideal seria
que nós pudéssemos
ser quem quisermos ser
e deixar de ter
passar a ver
o outro
com outro olhos

O ideal é que
o amor fosse um bem comum
sem mais-valia
sem opressores e oprimidos
ser vida
servida num jantar contigo, comigo

O ideal é que
o pensamento fosse tão forte
quanto o peso da tua mão
sobre a arma
que aponta para o ponto
final
a corrida pelo ideal
pronto.

o ideal seria o ideal...

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Vinte e cinco



Eu tenho um quarto de século
Hoje aos vinte cinco, prevejo o futuro
o furo no destino que me espera
Eu tenho coisas, mais ou menos minhas
eu tenho amigos, mais ou menos meus
eu tenho instrumentos, emprestados da humanidade
Eu tenho vinte e cinco, um quarto de século


No meu quarto eu fico divagando
no limbo
dos que tem vinte e estão indo pros trinta
e com tinta vermelha,
escrevem a história de suas vidas
Eu tenho vinte e cinco
O que me espera daqui pra frente?

Vinte e cinco é a única coisa exata que eu tenho!

domingo, 10 de julho de 2016

Onde?

Onde você roubou esses olhos?
Que me olham como setas vindas de arqueiros
que me seguem como espiões.
Que me vendem direções
Onde você roubou esse cabelo?
Que me cortam no meio
e que me esvaziam por inteiro
Me enchem de mim mesmo
Onde você roubou essa pele?
Lobo vestido de ovelha
pronto pra me devorar
Onde você roubou meu coração?
Em qual esquina
Em qual esquina
Em qual?


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Cerebelo

Um cerebelo tão bonito
quanto você
que ser tão belo
e bonito de se ver

Um tímpano tão tipo:
meio o meu tipinho
que apareceu
entre os tempos
típicos.

Um fêmur, fêmea
acho que fomos
feitos um pro olho
outro pra frente
do espelho

Sempre somos glotes
de lotes, de vindas
e idas, descendo
e descendendo
dos genes e dos gênios
linfáticos e fanáticos

Eis toda sua beleza genética em uma rima, outro rim

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Dr. Jekyll e Sr. Hyde



Olá Sr. Hyde


há quanto tempo...


não sou mais você


mas você ainda sou eu


Preso em teus pensamentos


como uma fera indomável


somos fruto do mesmo pecado:


A humanidade.






pelas esquinas longas e frias


cutucam minhas indagações


mais promiscuas


sobre o que ser e o que ter


acerca de um mistério:


O testamento

Cansei

Cansei de abrir as portas
todas tortas
da tua percepção
Agora, mulher
rapá daqui
não quero discutir
mente-coração
sim ou não
eis então?
eu percebo, as horas
que estou com você
não estou comigo
tudo isso é em vão
minhas melhores poesias
agora são de outra
já que você se despiu delas
por um bocado de qualquer coisa.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Apenas 5 versos (Gabryelle Cavalcante/Luciano Pontes)

Quem menos corre voa
"jacaré que dorme vira bolsa"
musica que se toca vira bossa
água que não ferve vira garapa
choro que é choro se toca na Lapa

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Olhos de mel

Fui procurando não ser piegas
sucinto ao extremo
dizer algumas palavras ternas
e talvez, rimar

é que quando eu te vi dormir esses dias
o cosmo passou na minha cabeça
é como se não houvesse nem fim nem começo
só você num lugar equidistante de mim

e ai eu me esforço às 3 da manhã
em lembrar teu rosto
em uma foto

Nunca mais escrevi poemas piegas
acho que não sirvo para o amor
e nem acho que talvez você seja o meu

Só sei da tua beleza, a qual eu me deleito
no caminho da labuta
diário

Infelizmente não sei o que seus olhos verdes dizem
se dizem algo pra mim
ou é noia, parafina de vela que ta morrendo

então espero que um dia venha à tona
todo o meu esforço
cancioneiro
em te agradar
sem nem mesmo saber se você vai ler isso aqui

terça-feira, 15 de março de 2016

Pátrio



Enquanto tu, que não sou eu
briga pro tu, que não somos nós
A gente briga por calar a voz
de quem precisa desatar os nós

Enquanto teu verde amarelo
for vermelho
não do partido
mas de sangue
de 500 anos
eu sigo dizendo que não há protesto
legitimado
Enquanto tu cresce, tua mais-valia cresce
enobrece o trabalho pobre
a migalha do semi-humano
que te segue, cego
como um norte.

Enquanto você não parar pra pensar
porque o brasil se tornou Brasil.
lutar por algo varonil
eu me recuso a lutar

Pois essa luta é de quem, se não dos que acham
que o filho do arroz-feijão tem direito a não ter direito
e o caviar aperta o off botão
da miséria nas páginas globais?

"Pátria amada, idolatrada
Salve! Salve-se quem puder"

segunda-feira, 7 de março de 2016

Enigma

A vida é tão misteriosa
assim como você
que parece uma incógnita
(eu amo as proparoxítonas)
numa equação sem solução
Tu me diverte horrores
as vezes me deixa triste
mas é só as vezes
que você também está

Enquanto a noite não chega
fico pensando asneiras
para iniciar uma prosa
pra inciar um universo
pra imaginar um futuro
que nunca aconteceu

De vez em quando
Eu fico especulando
sobre a sua vontade
de estar perto
ou estar longe
da sua vontade

Eu poderia te ver
mas os deuses são bons roteiristas
criaram a distância
e eu não posso te ver
Eu poderia ir a pé
mas não sou tão forte
não suporto as intempéries
do caminho

Talvez eu invente alguma geometria
onde tua casa seja a mesma que a minha
E aí eu não vou mais especular os dias
Você vai estar aqui do lado
por enquanto, do esquerdo do peito
pra não esquecer...

Esse poema era pra ter três ou quatro versos
mas qual é a combinação perfeita de palavras
pra você perceber que somos juntos
mais que dois, menos que nós?

Enquanto não tomo coragem pra te dizer o que sinto
vou contabilizando os versos
os dias são adversos
como a lápide da solidão.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Hermético



Um dia me chamaram de tal
Pensei ser um remédio
pra minha dor indigerível
Mas conheci por dicionário
algo misterioso, indecifrável
Como é toda proparoxítona


Acho que se fosse um
Não teria que estar às claras
Mais obscuras
Mais inóspitas...

E como todo bom Canceriano
fiz poemas com todos os tipos
de mulheres imaginárias
Não haviam reais
nem centavos de criaturas

E quando acho que achei a mais bela
eis que a deusa da discórdia
vem e me diz que a maçã será jogada
e elas todas irão brigar...

quarta-feira, 2 de março de 2016

Março ou Marcho?

E todas as pessoas te dizem
"Seja corajoso, enfrente as adversidades"
Então há algum problema em querer estar quieto?
E todos dizem
"Bom dia, boa tarde, Como vai?"
Faz mal eu querer não levantar da cama?
E quando dizem
"Você tem que casar pra ser feliz"
Será que alguém é a razão da minha felicidade?

Então nesse maldito tribunal
afinal de contas:
o que eu devo?
O que eu devo fazer?
O que eu sou quando não posso ser eu?

Eu canso de ficar olhando as estrelas
Fantasmas de marte
Plutão distante
Júpiter gigante

Eu sou a estrela que menos brilha
então porque cobram tanto minha luz?

Quando te dizem
"Ache um caminho pra seguir em frente"
Será que eu já não sou o caminho?

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Domingo



As pessoas não existem
A cidade é vazia
Volto pra casa triste
com um monte de idéias,
de pretensões.
A segunda é logo ali
Oprime a minha vontade
de estar em qualquer lugar
Então as vezes penso que o domingo
é uma maldição imposta
pelos deuses mais antigos
São invejosos pela mortalidade
do sábado!

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Dia 20-1



É que quando eu me calo

me mato aos poucos

vou dizendo o que acho

na verdade, pensando o que penso

sem nunca avançar um segundo

Você não veio me ver

estava ocupada demais

e eu ocioso demais

os extremos são moinhos

giram enquanto a dor se torna terna




E no dia 20, na calada da noite

eu mudo, mudo de norte

na lista de prioridades

vou apagando um a um

até restar somente eu

Na noite em que a solidão

Não veio trabalhar

foi a noite menos duradoura

No barco, velejando contra ondas

onde é que eu vim me meter?

"Não me sinto tão sozinho eu tenho os meus amigos

Só aparecem quando bebo

Só aparecem quando não sou eu

quando não sou"


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Viajante IV

É o fim da jornada
amigos, festas
tudo se foi
Ao cosmos tu te apresentas
como simples morador
já que não queres mais sair
do lugar

E o fim que tu tanto temias
agora se parece tanto com o começo
quando suas dúvidas eram seu combustível
e suas certezas não existiam.

Desconstrução de ti
De tudo que não és
De tudo que poderia ser
Dos amores vividos
ou dispensados
Desconstrução da construção
Das proparoxítonas escondidas
Dos versos metafóricos
Das indiretas que nunca chegaram

Desproporcional foi mesmo tua vida

E então o fim da viagem foi só o começo...

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Viajante III

Então fostes pesado numa balança
desregulada e incapaz
de medir o quão tuas bagagens
são menos pesadas que teus sentimentos

E as pessoas foram te afastando
até que você preferiu assim
Nem no natal tu quisestes ir
à casa de teus país

Agora, o choro descadeia o riso
À margem do rio...dos dois lados
o reflexo da tua alma
embutido em teu espelho
a escuridão como tua espada
teu pesar o único escudo

Recebeu um mandado pra ficar
viajando até voltar de si próprio
e talvez encontrar um caminho
que possa te levar pra casa!

Enquanto isso, você vaga na noite
por estar cego, surdo e mudo...
Num sonho que bem no fundo
é a realidade mais mórbida que há

domingo, 24 de janeiro de 2016

Viajante II



Senti meu peito arder
quando passei na estrada, longa e solitária
como pude te deixar ir?
A propósito, como vai sua família?
Passei por aqui, tô de passagem
e agora a viagem nem vale
a passagem



Fui rude, perdi meus créditos
andei em círculos
pisei em pregos
entortei direitos
pra não me achar no final


Andas por essas estradas
que apagam teus rastros
com outros rastros
Não conheces ninguém
Antes eram tu e tua coragem
mas ela foi se esvaindo
a cada gota d'agua
você olhou pra trás
e se viu.
Como se derramasse tua alma
em cada parada, em cada esquina
E você se esvaziou de si mesmo
...
pra se encher de si mesmo, outra vez.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Viajante I



O homem em sua bicicleta
dá carona ao sonhos
que encontra no caminho
ele deseja ser feliz
com apenas uns trocados
e um amor simples
Não imagina nada além disso



O homem em sua moto, ultrapassa limites
não entende como
os carros lhe oprimem
Então vê estradas maiores
mas só as vislumbra
não consegue ir adiante



O homem no carro, dirige sem rumo
dirige seu filme mudo
onde só ele é ator
Talvez um coadjuvante
de si
Ao passar na estrada
não repara em nada
que não seja o que está além
Talvez não saiba
que o caminho é mais importante
que a chegada


O homem em seu avião
plana sem parar
por entre os céus mais azulados
infelizmente ele está sozinho
nenhum amigo pode conversar
apenas porque quis o preço da solidão

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Dolores



Acordando cedo, espero o café
talvez tenha pão
dor
Pelas frestas, empasse de pessoas
conversas fiadas
dor
Pesos e medidas, presos em retinas
desço da condução
dor
Discos sobre folk, country
Neil Young
dor
Não entendo o mundo, nem o mundo me entende
não transpareço alegria
dor
Demasiado devaneio, não penso
não rio do desespero
dor
eu ando comemorando sem festa
luto sem morte
dor
Histórias não contadas
não vividas
dor
Escrever uns versos chatos
apago todos
dor
Vou ao banco, olho o extrato
pago a conta
dor
Volto pra casa, vejo um amigo
algum amor antigo
dor
Se quiser volte ao inicio do poema
só não esqueça da dor
porque sem ela
isso tudo aí nem serviria pra poesia.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Decência ou Descendência?



O problema todo deve ser essa sua decência
ou sua descendência Italiana
que deixa esse teu sangue vermelho
que nem vinho.
E sua pele branca, sua voz suave
esse tom consonante com teus olhos
me fazem um idiota todos os dias
te procurando nas ruas frias
de São José dos Campos.


E eu imagino se você um dia vai saber quem eu sou.