Você tem um poema meu gravado em você
E eu, um edema gravado em mim
Onde por sorte, dói, por ventura.
Escrevo canções, invento histórias
com você, num sonho, aberto.
Livre para dizer o que penso.
Eu, marginal de mim, apenas observo
o rumo que tomei nesses dias
por querer navegar em seu curso
Abdicando dos meus afazeres
Desviando a energia vital em mim
para sua majestade reinar
Qual o limiar entre dar sem receber,
perceber
e amar em desmedida?
Quantos versos mais, precisarei escrever
esconder, mostrar, não direcionar
para que a seta atinja o alvo?
Fui despejado do meu bel-prazer
e sequer tinha cópia da chave
você me trancou do lado de fora.
Tomara que os meus gritos
te façam abrir esse portão...
quarta-feira, 6 de junho de 2018
domingo, 27 de maio de 2018
Siddartha
Convém me achar
E desprender
Dos eus que não me condizem
Das disposições indisponíveis
Apenas me achar
Procurar o Átman
O renascer
Mesmo que perca o amigo
No caminho
A busca é solitária
É um misto de ostracismo
E saudade irremediável
Atravessar o rio
E chegar ao outro lado
De si próprio.
E desprender
Dos eus que não me condizem
Das disposições indisponíveis
Apenas me achar
Procurar o Átman
O renascer
Mesmo que perca o amigo
No caminho
A busca é solitária
É um misto de ostracismo
E saudade irremediável
Atravessar o rio
E chegar ao outro lado
De si próprio.
sexta-feira, 18 de maio de 2018
A tristeza não cabe em mim (para Nikoly)
Quando uma pessoa
Transborda de qualquer sentimento
Ela não tem como caber em si
Assim como a tristeza
Como teia a prende em um fim
A tristeza não cabe em mim
Diria: sou feliz! Mas a qual preço?
Se divaga em todos as frestas
É em mim que me retorno
Mas me encho de vazio
Por um punhado de novidade
Quanta dor se faz em assim
Mas a tristeza não cabe em mim
Se eu jorrar mil litros de solidão
O quão sólido vai ser?
A tristeza que, desmedida
Saiu da minha vida
Quando passar por toda a lida
Não caberá mais em mim
Toda tristeza pressupõe um vazio
Que não cabe em ninguém
Transborda de qualquer sentimento
Ela não tem como caber em si
Assim como a tristeza
Como teia a prende em um fim
A tristeza não cabe em mim
Diria: sou feliz! Mas a qual preço?
Se divaga em todos as frestas
É em mim que me retorno
Mas me encho de vazio
Por um punhado de novidade
Quanta dor se faz em assim
Mas a tristeza não cabe em mim
Se eu jorrar mil litros de solidão
O quão sólido vai ser?
A tristeza que, desmedida
Saiu da minha vida
Quando passar por toda a lida
Não caberá mais em mim
Toda tristeza pressupõe um vazio
Que não cabe em ninguém
sábado, 24 de março de 2018
A poesia anda quadrada
A poesia anda medíocre
Os poetas sorriem pras armas
Abraçam os que oprimem
Dão beijos em princesas
Suas poesias não são mais subversivas
Não passam de uma dose de nada
Serve pro imediato
Pro desencontro consigo mesmo
Essa poesia plástica
Saceia os dados estatísticos
E as teses econômicas
De que o homem está chegando
Ao seu fim trágico
Um fim em si mesmo
Os poetas sorriem pras armas
Abraçam os que oprimem
Dão beijos em princesas
Suas poesias não são mais subversivas
Não passam de uma dose de nada
Serve pro imediato
Pro desencontro consigo mesmo
Essa poesia plástica
Saceia os dados estatísticos
E as teses econômicas
De que o homem está chegando
Ao seu fim trágico
Um fim em si mesmo
sexta-feira, 2 de março de 2018
Talvez
Talvez, um dia, como o raiar do sol de dezembro
ela chegará
apressada, como um vulto, como uma sombra
e deixará um denso espaço
dentro do meu peito
Como a Medusa, paralisará meu corpo
e como pedra, seguirei estático
rumo a uma viagem sem volta
Talvez, como um circo que chegou na cidade
e não conseguiu partir, ela chegará
e arrumará a casa que outrora bagunçada
me fez procurar o que não havia lá
Talvez, só talvez
aí eu perceberei o quão é importante
que a gente se doe
doa que a quem doer.
Então talvez ela já esteja aqui.
ela chegará
apressada, como um vulto, como uma sombra
e deixará um denso espaço
dentro do meu peito
Como a Medusa, paralisará meu corpo
e como pedra, seguirei estático
rumo a uma viagem sem volta
Talvez, como um circo que chegou na cidade
e não conseguiu partir, ela chegará
e arrumará a casa que outrora bagunçada
me fez procurar o que não havia lá
Talvez, só talvez
aí eu perceberei o quão é importante
que a gente se doe
doa que a quem doer.
Então talvez ela já esteja aqui.
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
No meu país
Não sabia que precisaria
andar por todo o meu país
Pra poder achar alguém com quem eu
Possa me sentir nacional
Eu que andava tão estrangeiro
Resolvi fazer canção do exílio
Procurei me isolar
Não, não me digas que não posso morar em voce
Sou um pássaro sozinho
Viravolteando o ceu
No meu país
O único juramento que faço
É que nunca te faça deserto
E seja sempre rio
Perene até onde quiser...
andar por todo o meu país
Pra poder achar alguém com quem eu
Possa me sentir nacional
Eu que andava tão estrangeiro
Resolvi fazer canção do exílio
Procurei me isolar
Não, não me digas que não posso morar em voce
Sou um pássaro sozinho
Viravolteando o ceu
No meu país
O único juramento que faço
É que nunca te faça deserto
E seja sempre rio
Perene até onde quiser...
sábado, 10 de fevereiro de 2018
Aflição de um carnaval qualquer
Como é difícil encontrar
Saídas para dizer
Que não era aquilo que se queria.
Acontece (fazer o quê ?)
Esperar a dor passar é aprender
Novamente
Que ninguém falou que ia ser legal
A vida é deprimente.
Mas nos resta viver
Abraçar a eminente revolta
Chorar com paciência
Cantar uma nova canção
E esquecer o que lhe faz mal
Mesmo você achando que lhe faz bem
A gente aprende a cantar só
A gente aprende a só cantar
E mesmo que um dia essa dor volte
Você já não vai ser o mesmo
Vai poder olhar e não mais temer
Apenas dizer:
Eu não quero sofrer com o que já me afligiu
Saídas para dizer
Que não era aquilo que se queria.
Acontece (fazer o quê ?)
Esperar a dor passar é aprender
Novamente
Que ninguém falou que ia ser legal
A vida é deprimente.
Mas nos resta viver
Abraçar a eminente revolta
Chorar com paciência
Cantar uma nova canção
E esquecer o que lhe faz mal
Mesmo você achando que lhe faz bem
A gente aprende a cantar só
A gente aprende a só cantar
E mesmo que um dia essa dor volte
Você já não vai ser o mesmo
Vai poder olhar e não mais temer
Apenas dizer:
Eu não quero sofrer com o que já me afligiu
sábado, 3 de fevereiro de 2018
Onde consta o poeta?
O poeta é um grande mentiroso
Digo isso porque já fui criança
E essas inventam do nada seu brinquedo
Constroem castelos invisíveis
Buracos negros n-dimensionais
O adulto trai o contrato com o imediato
Fala de aviões, helicópteros
E todo sortilégio de histeria
Inúteis para todos e qualquer um
Seus impérios são mais gelidos
Que nem o fogo pode derreter
O poeta é um mentiroso nato
Inventa romances que nunca terá
Ou histórias de dragões que nunca enfrentou
O adulto é um mentiroso compulsório
A criança, uma mentirosa feliz
O poeta é os dois ao mesmo tempo.
Digo isso porque já fui criança
E essas inventam do nada seu brinquedo
Constroem castelos invisíveis
Buracos negros n-dimensionais
O adulto trai o contrato com o imediato
Fala de aviões, helicópteros
E todo sortilégio de histeria
Inúteis para todos e qualquer um
Seus impérios são mais gelidos
Que nem o fogo pode derreter
O poeta é um mentiroso nato
Inventa romances que nunca terá
Ou histórias de dragões que nunca enfrentou
O adulto é um mentiroso compulsório
A criança, uma mentirosa feliz
O poeta é os dois ao mesmo tempo.
domingo, 28 de janeiro de 2018
Esfinge que não ver
O amor é uma esfinge
"Decifra-me ou devoro-te"
Esperando sempre à espreita
O viajante passar
Sem nenhuma cerimônia
Traz à tona seu paradoxo
Transversal ao mito
Tem como resposta o próprio homem
A quem pretendia devorar
Somos bobões que usamos muletas
Na velhice de nossas amarguras
Deixamos escapar o que nos é natural
O amor é uma arte
O artista não é o poeta
Este, por fim é o arauto
Que em Tebas fez gritar
Na Ágora mais contigente
O amor vai precipitar-se no mar...
"Decifra-me ou devoro-te"
Esperando sempre à espreita
O viajante passar
Sem nenhuma cerimônia
Traz à tona seu paradoxo
Transversal ao mito
Tem como resposta o próprio homem
A quem pretendia devorar
Somos bobões que usamos muletas
Na velhice de nossas amarguras
Deixamos escapar o que nos é natural
O amor é uma arte
O artista não é o poeta
Este, por fim é o arauto
Que em Tebas fez gritar
Na Ágora mais contigente
O amor vai precipitar-se no mar...
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
Danço enquanto vivo
E quando eu começo a sair
Procuro as frestas do mundo
Retorno um segundo a mim mesmo
Enxergo as pessoas como trocas
Intensões sobre o outro
Talvez o meu único amigo seja meu violão
Que expurga o inferno daqui,
e conta as horas pra fazer chegar
Um novo tempo começa
As ruas ficam mais compridas
E minha visão turva mostra que nada sou
Trago comigo as mágoas de todos os amores perdidos
E o rancor que começa a trovejar
Nuvem preta sobre o céu do meu coração
E quando chego em casa é de acalmar o coração
Sempre cantarolando uma canção que fiz
Ao amanhecer que sou
Digo "Olá" ao quarto e tudo se perde
Em relação aos meus 26 anos
Eu passo o dia vão
As meninas turcas e seus anexos
Elas estão sempre escondendo o rosto
Dançam ao redor da fogueira
Que se acende em mim
O único problema é que não sei dançar
Procuro as frestas do mundo
Retorno um segundo a mim mesmo
Enxergo as pessoas como trocas
Intensões sobre o outro
Talvez o meu único amigo seja meu violão
Que expurga o inferno daqui,
e conta as horas pra fazer chegar
Um novo tempo começa
As ruas ficam mais compridas
E minha visão turva mostra que nada sou
Trago comigo as mágoas de todos os amores perdidos
E o rancor que começa a trovejar
Nuvem preta sobre o céu do meu coração
E quando chego em casa é de acalmar o coração
Sempre cantarolando uma canção que fiz
Ao amanhecer que sou
Digo "Olá" ao quarto e tudo se perde
Em relação aos meus 26 anos
Eu passo o dia vão
As meninas turcas e seus anexos
Elas estão sempre escondendo o rosto
Dançam ao redor da fogueira
Que se acende em mim
O único problema é que não sei dançar
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
Ruas intermitentes
Ao reclamar de todos os meus paradigmas
internos e externos
vou começando a forjar um novo eu
que se encrusta com as baratas do canto mofado
e que se submete ao pecado mais varonil
Vamos sendo tomados por agonias pontuais
que exercem microfísicas em nosso ser
andamos em marcha-ré, contra o sol à pino
Quarando moscas mortas no vidro dos carros
Declamando Poema Sujo na madrugada fúnebre
Saímos nos dois, de preto e casaco jeans
notívagos sem nenhum respeito
sombras reles em todos os sentidos
vivemos em capas de super-heróis
mortos em combate.
Decido-me reclamar enquanto estou na condução
o dia está quente, a cabeça está quente
o vazio é mórbido como a flor que nasce no túmulo
de um coração pesado de chagas e de vermes
A vida parece mesmo um mistério
Enquanto pisco, olho para o céu e vejo uma núvem
parece um elefante, parece um rinoceronte
mas é um montante de gases, que não servem pra nada
só pra encher o saco dos desavisados.
E o bolso dos perceptivos.
A gente vende a si mesmo e não se compra.
internos e externos
vou começando a forjar um novo eu
que se encrusta com as baratas do canto mofado
e que se submete ao pecado mais varonil
Vamos sendo tomados por agonias pontuais
que exercem microfísicas em nosso ser
andamos em marcha-ré, contra o sol à pino
Quarando moscas mortas no vidro dos carros
Declamando Poema Sujo na madrugada fúnebre
Saímos nos dois, de preto e casaco jeans
notívagos sem nenhum respeito
sombras reles em todos os sentidos
vivemos em capas de super-heróis
mortos em combate.
Decido-me reclamar enquanto estou na condução
o dia está quente, a cabeça está quente
o vazio é mórbido como a flor que nasce no túmulo
de um coração pesado de chagas e de vermes
A vida parece mesmo um mistério
Enquanto pisco, olho para o céu e vejo uma núvem
parece um elefante, parece um rinoceronte
mas é um montante de gases, que não servem pra nada
só pra encher o saco dos desavisados.
E o bolso dos perceptivos.
A gente vende a si mesmo e não se compra.
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