sábado, 11 de novembro de 2017

As interrogações

O que há de belo em uma morte agonizante assistida de um besouro?
Ou em uma panela de pressão, com barulho estridente, querendo alçar voo?
Será que somos mesmo humanos?
Por que a pinta não é a mulher do pinto?
Já nos perguntamos onde nasce a beleza?
E onde morre?
Onde todas as capitais conurbadas vão cessar fogo com suas casas?
Quando os lixos serão de poucos e os luxos de muitos?
Quando será que Dostoiévski será tão chato quanto minha tese?
O que há de belo numa morte tranquila e sem furor?
Sempre somos descarados ao fingir segurança com liberdade?
Pensamos sempre em casamento por termos medo da solidão?
Se o caçador da Chapeuzinho fosse o Lobo?

Quando sua mãe vai dizer "chega" aos maus tratos?
Quanto vale um disco do Rush?
Quem vende mais precisa menos?
Os acidentes poderiam realmente ser evitados?
A inteligência é inferior ao delírio?

Onde é que eu vou parar com tanta pergunta?

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

café da manhã


tenho sido amaldiçoado
por todos os deuses
antigos e novos
você terá todo o conhecimento do mundo
serás mais inteligente que qualquer ancestral teu
mas em troca
nos teus ombros
estará fincado o ostracismo
as mulheres mais bonitas
irão pra cama contigo
porem nenhuma delas
irá te amar.


Esse é o teu castigo
por saber separar
as variáveis das pessoas
variáveis te deixam só demais

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Dia pra morrer

Que belo dia pra morrer
Entre os escárnios nas tumbas
do esquecimento
Entre os povos mais antigos
mais antiquados
Que ainda perduram em nós

Que belo dia pra morrrer
comemorando sobre a independência
de como ainda somos dependentes
de algo ou de alguém

Que belo dia, senhora morte
quem dera a sorte de quando
te ver
Não seja um belo dia pra morrer

São tantos dias, tantas horas
que nós contamos sobre os nossos túmulos
invisíveis
do dia-a-dia
Morremos todos, todos os dias

Que alpiste destes a ave?
Que amém murmurastes quieto?

Quando não atendemos a chamada
quando criamos uma tempestade
quando alguém nos amar de verdade

Será um bom dia pra morrer

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A minha menina

A minha menina, ensina
como as flores da Primavera
Quem dera, quem dera
que se nascesse mina
de ouro, de pétala

A minha menina, divina
é deusa enrustida, Sol
maior, bemol
quem desse essa tercina
de dó, de mim


A menina não diz "parafina"
é vela acessa de missa
é faca que rasga
numa poesia tão paulatina
afaga pálpebras e retina


A minha menina é verso de prosa
como a estação que a alimenta
é menta, juá, tão frondosa
que se nasce em prosa
se torna rotina

A minha menina é como o tempo
regendo o reino que fortifica
e fica retendo, como o vento
quem desce pra ver
saboreia o momento

sábado, 5 de agosto de 2017

O novo

Meio que o acaso
é um fim em si mesmo

Andando pelas horas que eu perco
sempre que divago nos pensamentos
sobre o que há de ser
o que há de estar

Olho os prédios, gigantescos
olhos fitados em lojas de roupas
Andar pela cidade requer cuidado
tem sempre riscos, perigos

Você ainda na mente, você
que de repente some
e depois aparece
assim como os carros na avenida

Congestiona meu coração
E eu ando pensando,
Se quando eu te vejo
é o mesmo que não enxergar

Ando só, como um corvo
renegado em sua lida
uma sombra disfarçada de gente
Entre as frestas mais escuras

Meio que o acaso
é um fim por si só

quinta-feira, 29 de junho de 2017

A milésima sobre solidão

Almas solitárias, vem e vão
São nobres solidárias, são pobres
Em meio aos mares
de 2 bilhões de milhares
entre os que não tomam Jack Daniels
ou os que tomam Conhaque
São almas, vem e vão

Situam-se entre as covas
as cavernas, das madrugadas
penam sobre corpos, sobre copos
Apenas querem amor
mas sobrevivem de ódio, rancor
não sabemos contra quem

A Peste, de Camus, a doença
que infesta as palavras gêmeas
Festa, Fresta, toda a sorte de mnêmicas
Com seus gritos inaudíveis
são criaturas horríveis
após o crepúsculo dos ídolos
Nietzsche não os descreve bem!

Paletas de todas as cores
para mostrar os maiores horrores
Hilst, Proust, Brecht,
Ou um disco do Dinosaur Jr.
Quanto mal você me fez
naquele 2009 indigesto
eu não te odeio mais
porém, a solidão foi nossa filha
que você não assumiu

Eis mais um ode a solidão dos excepcionais
e dos decepcionais.

domingo, 25 de junho de 2017

Relógio de pulso

Quando há silêncio
posso ouvir o tic-tac do meu relógio de pulso
como se ouvisse meu coração
em tempos tão difíceis
a poesia parece verborrágica
quanta coisa a se dizer!
Maquinas como o relógio de pulso
fazem seus corações (tic-tac)

O silêncio e o vazio
estão em extinção
posso ouvir a chuva, posso ouvir a vizinha
que grita com o marido
que briga com a filha
por conta do namorado

A briga pelo espaço
se estendeu pelo som
cada um quer o seu barulho
cada vez mais alto

Só a noite é que posso ouvir o silêncio
puro e indelével
e o tic-tac do meu relógio de pulso
eu o venero
paciente e tranquilo
é paladino do tempo

Meu relógio de pulso marca o tempo

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Ela me esqueceu

Ela me esqueceu
me pôs no pote do mais tarde
na categoria dos que não tem importância

Eu, triste, como um cão
que espera seu dono
abanei o rabo

Mas o dono não veio
a alegria não veio
a satisfação não veio

Veio uma dor emburrada
um amarelo tom de chato
um cinza sem brio

Ela aprendeu a me esquecer
acho que cansou dos devaneios
ou apenas quis ir

Mas antes tivesse avisado
já que não faz mal dar adeus
ou dizer "até mais"

Enfim, agora eu vou aprendendo a esquecer
que fui esquecido
na fila do depois

sexta-feira, 26 de maio de 2017

ode my thoughts


Building are so biggest near of me
I don't seem with anything on the ground
my wings broken has told that it
I'm so weird and pathetic

Traces of sober while I took my wine
Fearness above my conceptions
They return to the canvas, inside
Thought grumble of my deceptions

I know, everyday is stupid,
Ok
Fall in love for what?
The people always need somebody else
For after leave him again

Another pin prick in my head
I strangely suit you, against me
between cracks and nonsense conversations
I felt more distant of me

Tell me, now, would you come back?
When to know who I am
This few skin and poor heart
Never learning stay lonely

terça-feira, 16 de maio de 2017

Should have been better

I found you, I don't know why this
I came on the road, thought about something
I talk with my friend before, she was with you
If didn't go down in the street on this time...

Unlikely, I found you!
Why? My shoes, my brown shoes
Their said me that you was pretty
But you don't hear us

I really wanted to be the motive
of the sincere smile from anybody...

domingo, 14 de maio de 2017

Adeus, doce Paterson

Com grande pesar, que me despeço
de você, meu grande amigo, Paterson
que dirige seu ônibus pela cidade.
Você é um grande coletador
de conversas, de palavras
de pessoas
Mas é hora de partir
Pra outro lugar.
Onde as poesias e as pessoas
não tenham pontos finais,
mas sim interrogações
ou reticências...

Dear my friend, Paterson
do you hear me? I'm still here
Whispering like a wind
It's time, come on, take my hand
at least one of us know how is so hard and troubly
the life, the matchbox, the Ohio Blue Matches.

Compreende, meu amigo?
Os sonhos vindo dentro de suas caixas de fósforos
Você é um grande coletador deles, um grande captador de poemas
Adeus, doce Paterson.

Give me a handshake, while the people talk about your lifes
about God
about childrens
about love
Give me a couple of words before I gone...
Goodbye, send news someday, please,
And fare thee well, my sweet Paterson. 

sábado, 6 de maio de 2017

A dor do compositor

De manhã cedo
Acordar, tomar café
tímido.
Retroceder aos ímpetos
e te esquecer

E ao sair
Uma mensagem de erro
ou de alívio
Alienígenas somos
sem nem saber porque

Eu duvido
que ao bater a porta
e no seu ouvido.
Dizer coisas que importam:
 - dê um sumiço
que só assim, resignado
poderei te deixar.

E todo aquele
que faz questão de dizer
que o amor é isso
Talvez precise ter nas veias
O veneno
Sem antídoto
E sofram assim com
A dor do compositor.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Acabou

acabou o fim de semana
acabou a coragem do coração
acabou as meninas floridas
acabou todos os remédios na caixa
acabou os disparates do prédio ao lado
acabou todas as causas dos males do mundo

E finalmente, o relógio marcou 0:00.

Solidão

Solidão, seria ela algo positivo ou negativo?
A solidão perpassa as fronteiras
da ciência e da arte
pois variáveis te deixam só
pessoas te deixam só.

A solidão é interprete de um dia de sexta
onde o cinza é mais claro que o arco-íris
E o fim de tarde não é uma felicidade,
como diria a canção.

Um prelúdio do fim de semana
pra talvez encher meu coração
de gana
ou de ilusão
talvez os dois, talvez os dois

Não quero assistir jornal, não quero ler
não quero falar, não quero escrever
Mas a solidão tudo isso me obriga
a fazer
A solidão deve ser uma autoridade
entre os sentimentos

Pois não se sabe se ela é ruim ou boa.

sábado, 22 de abril de 2017

Vestido florado

Então te vi
de vestido florado
parece que todo meu jardim
emudeceu

Porque as estrelas, mortas no céu
não me respondem
qual a fórmula que Deus
usou?

Pra cruzar meu caminho
com o teu caminho
o destino ou o acaso?
tanto faz, tanto faz!

Será que a partir de hoje
todas as poesias que faço
secretamente,
serão suas e não minhas?


sábado, 11 de março de 2017

Mon Petit Soleil

Mon Petit Soleil
Alumia qualquer treva
e tempestade em meio a névoa
rima fácil de fazer

Quantas voltas foram necessárias
para que você viesse parar aqui?
Exatamente onde eu nem esperava

Sua órbita mudou, minha gravitação tenta se adequar
"é grave doutor?" é grave.
Grave em entrelinhas, seja menos transparente
Seja menos e o deixe brilhar

Mon Petit Soleil
Quantos são seus raios de sol?
Será que são suficientes para quebrar o gelo
que se instaurou em meu ser?

Talvez eu nem te agradeça, pois esse poema
talvez não te mereça, você já é um caso
irremediável de poesia.

Então, um dia, quem sabe, se eu fizer parte
e orbitar mais perto de você
volte a ter vida, volte a ser uma estrela
e crie outras constelações

Mon Petit Soleil
A que horas sua rotação vem contornar
a minha translação?

Um dia deixarei de ser satélite
E queimarei vivo, contigo
Vivo

Sua beleza é tão inebriável
com sua gentileza de ensinar
sua delicadeza de exprimir
e exaurir, que sua aparência
nem passou por minha retina

E em cada esquina, em cada Skinner
Quando chego
me perco, nos teus gestos
É melhor eu não pensar em nada

Porquê eu possa ser egoísta suficiente
e querer que o sol apenas me aqueça
e se esqueça de quanto eu andava frio

Mon Petit Soleil, se um dia você ler esse breve ode
espero que não se espante, apenas compreenda
não acredito em horóscopo
mas teimo em dizer
que os de Julho são frágeis como flores...

...Amamos sem perceber.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Fumo (a terça parte do meu tédio)

Meu coração se cansou de tanto bater nas portas erradas
e apenas vender algo que não querem comprar
a partir de hoje serei um paladino do acaso
um morto-vivo sem lembranças
um homem do hoje
Enquanto viver estarei entregando a mim mesmo aos demais
Um homem fragmentado
entre os amores do porvir
as dores do saber
Eu realmente não sei de nada
não sei sobre o café
sobre o pão
sobre o leite derramado
Um rebelde sem causa, uma Esfinge sem anedotas

Então trago um Viceroy
fumo todo
e então com a fumaça, todos os desprezos são vencidos
toda a mazela é consumida, todos os olhares tortos são superados
E então relaxo, encontrando em mim um porto
Um porto onde só mesmo eu consigo atracar

Por que você não consegue me enxergar como tal?

Sou um bom moço, fiz meu dever, mas mesmo assim
nada sou
invejo os pedintes por suas causas serem mais nobres
que as minhas
Tenho dívidas e dúvidas
melhor fumar meu cigarro e engolir todo o mal que me fizeram
e jorrar pra fora todo urro e berro que está guardado à sete chaves
Sou todo solidão.

Fumo enquanto queria ser T.S.Elliot
Ou até mesmo Allen Ginsberg
fazendo suas poesias enquanto uivavam
Ou Fitzgerald, ou Hemingway
O Grande Gatsby
Os contos macabros do Zé do Caixão
Enquanto fumo meu Viceroy, posso ser o que eu quiser

Enquanto isso, você ainda não me vê como eu quero que veja!

Suas palavras de veludo e sua maciez confrontam minha alma
seus dóceis dizeres são sempre mais elegantes que os meus
Acho que o que faz você ser tão bela é ser intrigante
e me guiar por todo caminho do conhecimento
Não devo mais me embebedar de seus conselhos
ou irei cair na inefável teia do amor
nesse momento então, poderei dizer que estou perdido

Enquanto você não me amar, eu fumo até o cigarro morrer em minha mãos.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Filhos do meio dos filhos do meio

Somos os filhos dos filhos do meio
não temos nenhuma conquista
qual de vocês, amigos leitores, pegou em uma arma?
E teve que decidir entre você e outra pessoa?
E viu cair seu amigo ferido no front?
Nós apenas compramos bicicletas
e vamos à casamentos
clicamos duas vezes
pra aceitar uma amizade
Quem de nós viveu loucamente
e foi às ruas protestar?
Somos os filhos bastardos da pós-modernidade
comemos comida enlatada
falamos de amor em nossas canções
mas somos mentirosos de merda
chegamos em casa e ligamos nosso computador
e então despejamos mediocridade
com zeros e uns
somos binários de corpo e alma
Não brindamos a madrugada
que é dos poetas
e das prostitutas
e dos estudantes
Somos os filhos do meio
que assiste calado os gritos gélidos da democracia
na verdade nunca conhecemos tal
Somos gregos sem Sócrates e Platão
Não temos que pensar, apenas agir
Comprar carros, joias,
Eu decidi ir para Bogotá
Austero de qualquer petulância
dos que me afligem
Vamos, caro amigo
acorde!
Vista-se de seu melhor traje
e vamos passear na floresta...

,..

Enquanto seu lobo, meu lobo, o lobo do homem, não vem!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Manifesto

Aqui jaz um escrito
onde tudo cabe
cabeça, tronco e membros
quaisquer que sejam os pensamentos,
ideais e ideias.
Tenho a incrível sensação
de colocar tudo em um único envelope
enviar para meu amigo
que está do outro lado do mar
para que leia as cartas
e se sinta abraçado
com meus versos


sábado, 21 de janeiro de 2017

Crianças

Declaro hoje que
a sabedoria excelsior
que perpassa os homens comuns
e dos prazeres insolúveis do nosso tempo
está em um único recipiente:
As crianças!

As crianças sabem das coisas
sabem gritar em lugares que são de silêncio
sabem pedir coisas impossíveis
inventam histórias que os adultos não compreendem
As crianças sofrem de um bem
outrora chamado de mal:
poesia!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Cidade

Que cidade é essa ?
Madrasta
que cerca seus filhos
que atenua suas dores.
Não encontra um vintém
de coisas prósperas
apenas discórdia
no prato dos parlamentares
Que cidade é essa?
que celebra as mentes
apenas quando estão fora
que festejam as vitórias
desmedidas de qualquer proveito
Onde quem pegou alguém
já pegou alguém que pegou alguém
um nefasto moto contínuo
de gente que vai e vem
bebem do leite do povo
e do sangue se embebedam.
Que cidade é essa?
outrora era das oportunidades
que não eram de ninguém
hoje é minha. É sua.
É do povo.

Mas ainda não é de nada.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Perdição (1/2 de minha breve vida)

Eu me perdi
da mulher amada
do partida inacabada
do céu ensolarado

Eu me perdi
do riso desenfreado
do sono introdutório
do sonho contrário

Eu me perdi
das pessoas más
das enxadas e pás
do trabalho encontrado

Eu me perdi
da força enganadora
da moça encantadora
do samba articulado

Foi então que me achei
e me perdi mais uma vez

Abaixo

Abaixo todo o sortilégio de coisas
que me faz menos que eu era
e mais do que eu sou
Toda enganação
seja ela feminina
ou mundana
Abaixo os lutadores vãos
que pisam em pisos falsos
coberto de sangue e lama
Abaixo todo o medo de errar
O erro é pedagógico
epistemológico
e poético.
Abaixo os sabichões
que fingem ter as respostas
e não sabem nem mesmo as perguntas.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Constatação escarnecedora

Patifes!
Somos todos
Ficamos na linha do trem
esperando sermos esmagados
por toda moralidade
que nossos pais
aprenderam nas igrejas
Respiramos por aparelhos
e nem sequer respondemos às perguntas
dos que nos martirizam
de toda sorte de interjeições
Somos todos patifes
por não vivermos nossas próprias tragédias;
Pedimos emprestados aos deuses
que se divertem com nossa dívida
pois são insaciáveis e logo nos arrebatarão.

Carta aos primeiros imbecis

Eu, Delfos, a quem vos falo
escrevo linhas e parágrafos
melhor dizendo: Escrevo em versos e prosas
a todos esses que insistem em dizer
que a vida é pra ser vivida na medida do possível
Vos digo na verdade: o possível não existe
o possível não pode ser mensurado
Apenas corram
joguem-se nos risos
e nos rios
Desprendam-se dos julgamentos infanto-juvenis
dos aparatos, dos adornos
de todos os precipícios morais
Troquem suas alparcas por pés descalços
numa praia deserta
ou na beira do Rio São Francisco
Esqueçam os amores mal resolvidos
esqueçam os amigos do jardim de infância
No fim, terá apenas um "consolo na praia"
Não leve na carteira a modéstia
ela é uma hipocrisia enrustida
serve pra anular o homem
que tem seu significado
Vocês, primeiros imbecis
tomem cuidado
para não se embebedarem
e chegarem nos seus fins comuns
precisando de um trocado
pra passar.

Decisão

Ele decidiu partir.
Estava cansado de todos os mimos
das meninas incompreensíveis
do amor que não o correspondia
do português que falava errado
e dos seus filhos que,
queriam ser doutores
engenheiros ou filósofos

Ele decidiu partir.
porque não achava graça na piada
nem na pirueta do trapezista
nem muito menos na mágica
nem na mulher de bigode
começou a desconfiar de tudo
e de seus pais que,
queriam lhe fazer doutor
engenheiro ou filósofo

Ele decidiu partir.
mesmo a sorte sendo adversa
e o coração sendo devasso
por um drinque ou coquetel
de qualquer aventura
cansou de tudo isso
dos cachorros nas calçadas
e dos bêbados no porto

Ele decidiu partir.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Poemas

Poemas não exigem prazos
nem patrões
poemas são trabalhadores em um feriado
saem livres pelas praças
e abraçam as velhas e os cachorros
e os meninos sobem em suas costas

Poemas são como cavalos selvagens
libertos e indomáveis
que pairam sobre a campina
em busca de alimento

Poemas não podem ser presos
nas leis da física
ou na legislação
porque não há prisão que comporte
tamanha carga.

Enquanto sou agressivo

Enquanto sou agressivo
atinjo a farsa dos mais promíscuos
que injetam suas frases
robustas de falácias
e de infecções sociais

Enquanto sou agressivo
pesco toda sorte de tubarão
que insiste comer os peixes pequenos
apenas ressentidos
por não serem homens

Enquanto sou agressivo
busco a bússola da verdade
ao norte de todo o caráter
que me é posto
como certo

Enquanto sou agressivo
as pessoas riem de mim

Burrice

Se não for pra brigar
se não for pra tirar o tirano do poder
se não for pra relutar as verdades impostas
melhor nem nascer
melhor viver cego
melhor casar e ter um emprego

Se não for pra chorar diante da beleza
se não for pra comentar Shakespeare
se não for pra...
melhor deixar quieto
melhor ir pro bar
assistir jogo do Brasil
com minha namorada
que só quer saber de compras
e convencer que é melhor que as outras

Se não for pra viver plenamente, melhor está trancafiado numa cela
no Alaska, na Sibéria
ou na puta que pariu
que pelo menos a felicidade
e a quietude são gêmeas

domingo, 1 de janeiro de 2017

365 dias

Amor, pra que a pressa?
se 365 dias temos
para esperar os próximos 365
e comemorar o janeiro
como se fosse o primeiro
dos meses das nossas vidas
Façamos uma promessa:
vamos viver sem pressa
pois se a morte não vai a lugar algum
pra que correr logo ao seu encontro?